domingo, 20 de março de 2022

IFEHP lança Movimento de Sensibilização sobre o abuso sexual nos meios espiritualistas

 


PRECISAMOS FALAR DE ABUSO SEXUAL NOS MEIOS ESPIRITUALISTAS. Sem medo, vergonha ou meias palavras.

Nós, integrantes do Instituto de Filosofia Espírita Herculano Pires (IFEHP) e do Fórum de Mulheres Espíritas do IFEHP sempre pautamos nossos debates e ações no letramento sobre temas historicamente invisibilizados nos meios espíritas tradicionais. Temos o compromisso de abordar as diversas temáticas relacionadas ao universo feminino, sempre em diálogo com os movimentos sociais e feministas fomentando o debate urgente e necessário sobre gênero e sexualidade, questões muitas vezes ainda mal compreendidas nos meios espíritas.

Nesse sentido, no dia 21 de março de 2022 o IFEHP lança o Movimento de Sensibilização, com divulgação de vídeo institucional da campanha, e a publicação de cards diários com reflexões sobre o tema. Essa é a primeira etapa de lançamento da campanha.

Para mais informações sobre o Movimento de Sensibilização, nos siga nas redes sociais através do endereço @ifehpfilosofia, e se inscreva em nosso canal no YouTube, basta procurar por Instituto de Filosofia Espírita Herculano Pires.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

IFEHP promoverá o minicurso "Morte, Luto e Imortalidade" a partir do dia 17/02

 


☑️ No próximo dia 17/02 inicia nosso minicurso "Morte, Luto e Imortalidade", que será ministrado por Lindemberg Castro e Jerri Almeida, com transmissão pelo canal no YouTube do IFEHP. O curso possui três encontros, começando sempre às 20h.
📍Temas abordados: Morte e Luto, Suicídio, e Imortalidade.
📍Perfil dos ministrantes:
- Lindemberg Castro é filósofo, pedagogo e psicanalista, com especialização em Saúde Mental, professor da rede estadual de ensino do Ceará;
- Jerri Almeida é professor, historiador, escritor, autor de 8 livros, dentre eles o livro que dá nome ao minicurso, "Morte, Luto e Imortalidade", pela editora Letra Espírita.

Para acompanhar o minicurso se inscreva em nosso canal no YouTube: Instituto de Filosofia Espírita Herculano Pires












IFEHP promove palestra com o professor Sinuê Neckel Miguel no dia 16/02

 


O IFEHP promoverá, no próximo dia 16/02, às 19h, a palestra virtual com o professor Sinuê Miguel, atividade que inaugura mais um estudo sequenciado do IFEHP, que desta vez será sobre o artigo do referido professor, "Disposições políticas no espiritismo brasileiro: da 'neutralidade conservadora à aspiração socialista".

A palestra iniciará às 19h, pelo Google Meet. Segue o link de acesso: meet.google.com/kjs-kjcv-prs

Siga as nossas redes sociais, instagram e facebook: @ifehpfilosofia

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Artigo: A vida não é útil - reflexões a partir de Ailton Krenak - por Lindemberg Castro

 


por Lindemberg Castro - filósofo, psicanalista, membro do IFEHP - lindembergsousac@gmail.com

Talvez você conheça a poesia do Carlos Drummond de Andrade “O Homem; as viagens”. Em caso negativo, listo-a abaixo.

O homem, bicho da terra tão pequeno

Chateia-se na terra

Lugar de muita miséria e pouca diversão,

Faz um foguete, uma cápsula, um módulo

Toca para a lua

Desce cauteloso na lua

Pisa na lua

Planta bandeirola na lua

Experimenta a lua

Coloniza a lua

Civiliza a lua

Humaniza a lua.

Lua humanizada: tão igual à terra.

O homem chateia-se na lua.

Vamos para marte - ordena a suas máquinas.

Elas obedecem, o homem desce em marte

Pisa em marte

Experimenta

Coloniza

Civiliza

Humaniza marte com engenho e arte.

 

Marte humanizado, que lugar quadrado.

Vamos a outra parte?

Claro - diz o engenho

Sofisticado e dócil.

Vamos a vênus.

O homem põe o pé em vênus,

Vê o visto - é isto?

Idem

Idem

Idem.

 

O homem funde a cuca se não for a júpiter

Proclamar justiça junto com injustiça

Repetir a fossa

Repetir o inquieto

Repetitório.

 

Outros planetas restam para outras colônias.

O espaço todo vira terra-a-terra.

O homem chega ao sol ou dá uma volta

Só para tever?

Não-vê que ele inventa

Roupa insiderável de viver no sol.

Põe o pé e:

Mas que chato é o sol, falso touro

Espanhol domado.

 

Restam outros sistemas fora

Do solar a colonizar.

Ao acabarem todos

Só resta ao homem

(estará equipado?)

A dificílima dangerosíssima viagem

De si a si mesmo:

Pôr o pé no chão

Do seu coração

Experimentar

Colonizar

Civilizar

Humanizar

O homem

Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas

A perene, insuspeitada alegria

De conviver.

 

Conheci esse poema pelos olhos de Ailton Krenak, vencedor em 2020 do prêmio Juca Pato pela União Brasileira de Escritores; escritor, ativista do movimento ambiental, organizador da Aliança dos Povos da Floresta, que reúne comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia, e um dos maiores pensadores brasileiros da atualidade. Seu livro “A vida não é útil”, nada mais atual para tentar nos tirar da letargia que é “viver” em pleno sistema capitalista, que fetichiza e relativiza a vida e sua importância. 



É fantástica e inegável a capacidade da ciência de nos permitir sonhar com viagens para outros mundos, Jeff Bezos que o diga. Esse conhecimento científico que nos tem levado cada vez mais distante nada é sem perguntas que possam construir sentidos para a Vida, afinal de contas, temos um planeta inteirinho para cuidar de forma imediata, e cujas notícias catastróficas sobre o meio-ambiente, por exemplo, não ocupam mais o lugar de previsão; diante do desgaste ecológico e ambiental em que nos encontramos, algumas notícias e apelos ambientais ainda soam como alertas para os desavisados, mas o fato que nos rodeia é que a crise ecológica já está atuando na degradação cada vez mais rápida do planeta, o que atinge a Vida em todos os seus níveis. 

Temos uma contradição temporal de percepção entre o presente e o nosso futuro incerto. O futuro nos parece obscuro porque negligenciamos o presente, no entanto, esperamos sempre “por algo melhor”, algo como um “mundo de regeneração” que resolverá automaticamente todos os nossos problemas. 

Saber fazer boas perguntas é uma das habilidades que aprendemos ao nos tornarmos cientistas, filósofos, livres pensadores, cada um em sua área do saber. Deslocar pressuposições é parte desse caminho para chegarmos a possíveis respostas e resultados. A maestria de artistas, poetas e filósofos em produzir esses deslocamentos nos ajuda a resgatar o motivo e o que nos motiva a fazer ciência, a produzir conhecimento, sobretudo em tempos de negacionismo atuando em diferentes frentes, não apenas no campo científico, mas também na história, na sociologia, na filosofia, na pedagogia, no Espiritismo, etc.

Sim, o negacionismo atinge de diferentes formas os meios espíritas também, seja pela lógica anti-vacina alinhada à ideologia bolsonarista ou pelo princípio místico de que a única vacina que funciona é a de cunho espiritual. Ou ainda, na compreensão da reencarnação com um fim utilitarista que a transforma em uma máquina de moer gente em plena pandemia, justificando mortes e genocídio como princípios espirituais aceitáveis. O período pandêmico no Brasil ficará marcado, inclusive espiritualmente, como um período em que um genocídio foi fomentado diante das nossas vistas, fazendo do nosso povo um joguete ideológico que visou lucros obscuros. 

Para esses espíritas, dizemos: não, a vida não é útil! A vida humana não pode ser ideologizada para propagar a naturalidade da necropolítica. 

Ailton Krenak, em seu supracitado livro, nos guia em uma viagem que entrelaça múltiplas formas de conhecimento sem sair do planeta, do país, da aldeia ou de casa. É um livro da hora urgente, extrema e necessária, em meio à pandemia que evidenciou dimensões até então não palpáveis de nossas desconexões e conexões globais, humanas e espirituais. Sim, seu livro possui uma espiritualidade fluida, ativa, voltada para a transformação do mundo. Mas não é uma transformação cega, que serve como fogos de artifício de discursos religiosos vazios de dominação das consciências; nele encontramos sentido para a transformação pelo engajamento, pelo senso de coletividade, para o cuidado de si e do mundo. 

Hoje vivemos dia a dia com a descoberta de que nossos corpos em circulação ou em quarentena, alimentados pelo agronegócio e pelo utilitarismo capitalista, afetam e são afetados por milhões de vidas. Descobrimos também, que as pessoas mais ricas do planeta aumentaram em muito a sua fortuna em plena crise global; descobrimos ainda, que a pandemia no Brasil foi acalentada pela necropolítica, que define quais os corpos que merecem ou não viver. A pandemia escancarou que para o capitalismo a vida é apenas útil, nada mais; hora ela é mercadoria, hora é meio de produção, hora ela mal recebe a sua mais-valia de que é “merecedora”. A vida humana é, na estrutura capitalista, apenas mais uma forma de lucrar mais e mais. 

Percorrendo caminhos entre músicos como Milton Nascimento, xamãs, filósofos e cientistas, Krenak constrói linha por linha o paraquedas-foguete da viagem para dentro de nós mesmos de que tanto necessitamos. A cada página, nos vemos convivendo com algo muito maior do que a ideia de humanidade comporta. Talvez nós espíritas possamos aprender com ele aquilo que não conseguimos aprender ainda: ou desenvolvemos uma visão global e um engajamento adequado sobre os problemas do mundo e sobre a própria reencarnação, ou continuaremos a tratar o progresso espiritual na mesmice da reforma íntima individualista. A provocação de Krenak quanto às religiões em geral coloca em xeque o esforço individual de elevação sem comprometimento efetivo com o coletivo, com o mundo. Isso é maravilhoso! Krenak sabe quais perguntas fazer. 

Nos capítulos-paraquedas (cujos temas servem para adiarmos o fim do mundo) do seu livro, Aílton Krenak, um dos maiores pensadores brasileiros da atualidade (digo-o novamente), lança perguntas centrais para repensarmos nossas vidas e nossa forma de produzir sentidos.

 

1.    Não se come dinheiro: A ideia de humanidade é útil para o que e para quem? O que é a vida?

2.    Sonhos para adiar o fim do mundo: Por que contar sonhos?

3.    A máquina de fazer coisas: Quem é a praga que come o mundo? Como recriamos mundos?

4.    O amanhã não está à venda: Faz sentido esperar a volta à “normalidade” depois da pandemia?

5.    A vida não é útil: Por que vivemos? Vale a pena adiar o fim de que mundos? Ao fim da leitura, me perguntei: quão longe a ciência poderia ir com esses deslocamentos?

             Esse é um livro para levar no peito e compartilhar, inclusive entre os irmãos espíritas. Ler, emprestar, anotar, trocar, reler e contar como se sonho fosse, contar com a alegria da novidade. Nas palavras de Krenak, contar sonhos é veicular afetos com pessoas com quem convivemos, dividindo um ideal coletivo capaz de refundar o conceito de humanidade, nos preparar para nosso cotidiano e afetar o mundo sensível. Contar sonhos equivale ao exercício do esperançar da utopia freireana, capaz de nos guiar de forma potente e engajada. 

Afinal, de que serviria a reencarnação se não fosse para transformar o mundo?!

Referência:

KRENAK, Ailton. A vida não é útil. 1ª ed. Companhia das Letras: São Paulo, 2020.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Os espíritas, o fanatismo e a (necro)política - por Jerri Almeida

 


Jerri Almeida - escritor, professor, historiador e livre-pensador

O fanatismo é um problema humano, potencializado pelo poder das narrativas, sejam elas de caráter religioso, ideológico ou político. Para o sociólogo francês Edgar Morin, há uma boa dose de loucura no homem. A loucura não conduziu a espécie humana à extinção. Contudo, quanta destruição de culturas, de sabedoria, de obras de arte! Em 2015, um vídeo produzido pelos militantes do Estado Islâmico chocou o mundo. Utilizando tratores e explosivos, destruíram na cidade de Palmira, Síria, o templo de Baal-Shamin, um patrimônio histórico da humanidade construído por volta do século II a.C, dedicado à divindade Baal, também chamada Beelshamên. Palmira, a cidade que foi parte do Império Romano até o ano de 273, era parada obrigatória para os comerciantes que faziam a famosa Rota da Seda que interligava o comércio entre Europa, Ásia e China.

O termo “fanático” foi cunhado no século XVIII para designar – no período da Revolução Francesa – os partidários extremistas, exaltados, possíveis defensores da guilhotina. [1] O fanatismo enquanto fenômeno histórico, presente em todas as sociedades é – de forma ampla - decorrente da própria insegurança e insensatez humana ao alimentar pensamentos inflexíveis, dominados por paixões que fecham – indivíduos e grupos – para o diálogo, para o múltiplo e, ainda, para a possibilidade de autoengano.

O fanático é alguém que “acordou o seu profeta interno” e está convencido de ter encontrado a única verdade, por isso, não aceita contra-argumentos. Mesmo quando outras “verdades” – diferentes da sua – se revelam por meio de evidências claras e perceptíveis, ele se mantém irredutível. Existe uma identidade a ser preservada e defendida. Uma identidade que vincula o sujeito a um time de futebol, a um partido político, a uma religião ou a uma ideologia específica. O acirramento dessas identidades produz comportamentos intolerantes e, não raras vezes, agressivos.

Nos dias atuais, “os fiéis” partidários das políticas conservadoras, de governos populistas, abdicam da sensatez, defendendo seus ícones sagrados com esmero e, se necessário, com destempero. Tudo em nome daquilo que parece ser a "defesa da moral e da família". As redes sociais despertaram o profeta interno dos ”indivíduos normais”, ou das “pessoas de bem”. Assim, as comunidades virtuais passaram a constituir palcos de debates acalorados sobre qualquer assunto. O sujeito, sujeitado pela suposta comodidade de expressão, sente-se mais livre para exaltar suas verdades, nem sempre verdadeiras.

Nesse sentido, não parece razoável, em nome de ideologias políticas, que espíritas apoiem ou defendam governos cujos discursos e práticas adotem comportamentos misóginos, homofóbicos, machistas, intolerantes e racistas. Tais posturas conspiram não somente contra os valores mais nobres construídos pela humanidade, mas, também, contra o que podemos denominar de “humanismo espírita”. [2] Sob o argumento de estarem defendendo governos “honestos”, que (supostamente) combatem a corrupção e defendem uma moral “tradicional”, pendem para o perigoso caminho da intolerância, do conservadorismo e do fanatismo.

A radicalização das posturas políticas, nos últimos anos, vem desvelando, também no meio espírita, posicionamentos anti-humanistas. Deolindo Amorim (1908-1984), eminente pensador espírita, escreveu que: “A Doutrina Espírita não está à margem da vida social. Se (...) o que se entende, hoje, por humanismo é o interesse pelo homem [ser humano], é a preservação de sua dignidade, é o aprimoramento das instituições sociais, a Doutrina Espírita é humanista, sem tirar nem pôr.” [3] É, não apenas humanista, mas progressista e livre-pensadora. Logo, o espiritismo poderia ser um valioso antídoto contra o fanatismo, decorrente das paixões humanas. Poderia!

Como então imaginar que certos espíritas possam defender governantes que, sabidamente, praticam a necropolítica? Que conspiram contra a ciência e o progresso? Que expressam discursos discriminatórios? Que insuflam mentiras e ódios? Que defendem crenças medievais? Que são, explicitamente, contra vacinas, em tempos de pandemia? Entre tantas outras absurdidades?

Evidentemente, não devemos desumanizar o humano, muito menos desnaturalizar o espírita, situando-o no plano da perfeição moral. Mas, deveria subsistir nesse contexto, minimamente, o princípio kardequiano da coerência, do bom senso, da humanização e da racionalidade. Abdicar desses valores, mesmo para quem não é espírita, é correr o risco de ser tragado pelas paixões, pelo fanatismo e, portanto, pela insensibilidade. A rigor, os “espíritas conservadores”, apaixonados por mitos e por suas verdades, nutrindo por vezes pensamentos inflexíveis, estão contribuindo para manter e perpetuar os velhos dilemas sociais. Mais do que “fazer caridade”, é preciso defender justiça social, respeito às diversidades e às minorias, na perspectiva de construirmos uma sociedade mais lúcida, fraterna, verdadeiramente inclusiva e humanitária. Não são esses, também, os objetivos do Espiritismo?
Notas
[1] PINSKY, Jaime. PINSKY, Carla Bassanezi. Faces do fanatismo. São Paulo: Contexto, 2004. p.109.
[2] Sobre o assunto, sugiro o excelente livro: LARA, Eugenio. Breve Ensaio sobre o Humanismo Espírita. Santos-SP: CPDoc.,2012.
[3] AMORIM, Deolindo. Ideias e Reminiscências Espíritas. 1ª ed. Juiz de Fora-MG: Ed. Instituto Maria, 1980. p.83.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Artigo "Um salve aos Espíritas Progressistas e vida longa aos Coletivos Espíritas Progressistas" - Por Alexandre Júnior

 


Por Alexandre Júnior - Pedagogo, Pós-graduado em Gestão Educacional e Coordenação Pedagógica. Escritor. Pesquisador de Gênero, Sexualidades e Espiritualidades.  Coordenador do Ágora Espírita.

Pensando o momento sociopolítico que vivemos, e a aproximação evidente do movimento espírita brasileiro com o conservadorismo extremo, este mesmo conservadorismo que dá vida e voz ao Governo Federal que com suas políticas neoliberais vem demarcando suas práticas com Aporofobia e Necropolítica. Assusta-nos demasiadamente, quando vemos protagonistas deste movimento espírita conservador defenderem publicamente o atual presidente e as ações neoliberais e capitalistas que são as suas marcas registradas.

Não encontramos a possibilidade de coadunarmos: Capitalismo, Necropolítica, Aporofobia, Racismo, LGBTQIAP+fobia, Sexismo, Femínicídio, Misoginia, Xenofobia, Desmatamento Florestal, Invasão de Terras Indígenas, Política Armamentista, com amor ao próximo, em que pese, alguns conceitos enviesados sejam utilizados para produzir a já tão conhecida do referido movimento, Pedagogia do Medo e da Culpa, antes alimentada apenas pela obsessão, pelos obsessores e pelo famigerado umbral, hoje amplia-se esta relação causal dos pavores acrescentando o maldito progressismo e o não menos satânico “Comunismo.”

Segundo algumas pessoas o objetivo maior deste Movimento Progressista é conduzir àqueles que forem tocados por seus seguidores obsidiados e com as suas atuais encarnações em derrocada ao umbral, além é claro, de trazer perturbação ao movimento hegemônico onde reina a absoluta paz divina.

Diz o poeta que: “Paz sem voz, não é paz é medo.”

Portanto, precisamos compreender o preço desta suposta paz, que consiste em invisibilizar vidas, pessoas, intimidades, silenciar os que pensam diferente sob pena de cancelamentos.  Se o Espiritismo não for capaz de dialogar com as minorias sociais e oferecer-lhes acolhimento, afeto, amor, compreensão, amparo, e oportunidade de engajamento significa dizer que colocamos a doutrina acima das pessoas, e assim sendo, precisamos repensar de que valem os espaços espíritas.

Acusam-nos de enquanto Espíritas Progressistas: democratizarmos o conhecimento espiritista, de discutirmos as minorias sociais com elas e não para elas, de darmos voz aos excluídos, resgatarmos os autores clássicos do Espiritismo, de dialogarmos com as ciências humanas para podermos criar justiça na nossa escrita e na nossa fala, oferecendo aos protagonistas silenciados a oportunidade de eles próprios falarem e escreverem as suas Histórias, as suas vivências, dores e conquistas, tirando-os de debaixo do tapete como tem sido feito desde o século XIX. Chamam a isso de “comunismo”!

Sendo assim, precisamos manter acesa está chama que arde no Brasil chamada Movimento Espírita Progressista que foi trabalhada por mentes libertas de dogmas e livres pensadoras e pensadores, que deram a oportunidade aos coletivos Espíritas de encontrarem algum respaldo para a construção de suas práticas, e respeito aos seus legados.

Um salve a Allan Kardec, Léon Denis, José Herculano Pires, Deolindo Amorim, Humberto Mariotti, Manuel Porteiro, Wilson Garcia, Dora Incontri, Sérgio Aleixo, Célia Arribas, Sinuê Miguel e Ana Cláudia Laurindo.

Vida longa a CEPA – Associação Espírita Internacional; CPDoc - Centro de Pesquisa e Documentação Espírita; o Ágora Espírita; Coletivo Girassóis - Espíritas Pelo Bem Comum; Instituto de Filosofia Espírita Herculano Pires - IFEHP; ABREPAZ – Associação Brasileira Espírita de Direitos Humanos e Cultura de Paz; CEJUS – Coletivo de Estudos Espiritismo e Justiça Social; Coletivo Espírita pela Transformação Social; Coletivo Espírita Maria Felipa e Espíritas à Esquerda.

Partindo da premissa de que não se precisa de chancela de nenhuma personalidade ou ente federativo para praticarmos, pensarmos e\ou dialogarmos com o Espiritismo, as mentes Progressistas e livres pensadoras promovem a possibilidade de uma alternativa ao que até o presente se encontra exposto como única corrente pensadora espírita, de forma hegemônica e reprodutora de conteúdo.

Dialogar com as ciências humanas com honestidade intelectual é robustecer a doutrina espírita, equipando-a de recursos capazes de munir seus adeptos a se relacionarem com as questões sociais de seu tempo e não serem apenas contempladores do plano-Terra à espera de viverem uma vida de ócio nas colônias espirituais que não foram pensadas para as minorias sociais e para os menos abastados.

Tomando como referência a frase popular: “Tal vida, tal morte,” se as referidas colônias forem o retrato daquilo que nos diz o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, senso 2010. Sendo as colônias espirituais aquilo que é o movimento espírita hegemônico, ou seja, branco, hétero e classe média, podemos concluir que não há espaço para as outras categorias e há lutas de classe até para se ter acesso aos “céus Espíritas”, isso não podemos negar.

O que nos leva a crer que a democratização da espiritualidade tem levado incomodo a uma parcela dos espíritas hegemônicos, que seguindo a frase já citada: “Tal vida, tal morte,” desejam levar os seus privilégios para o mundo espiritual, como na Terra não visam compartilhar aeroporto com determinadas classes sociais, no “céu” não visam partilhar “aeróbus e colônia espiritual”.

O Movimento Espírita Progressista se fortaleceu e parece mesmo que continuará sua trajetória de luta para a produção de conhecimentos e saberes que se deem na troca e na partilha, produzidos por livres pensadoras e pensadores, nunca por força da imposição dogmática, da opressão oficial, do cancelamento ou da negação ao diálogo com diferentes.

Sigamos firmes cientes de que não há, principalmente nos dias atuais, uma única vertente, ou um único caminho a ser seguido, bom, que possamos dizer que não se trata de estarmos ou não com a razão, mas, de termos o direito de professarmos os nossos pensamentos com todas, todos e todes àquelas pessoas que desejarem, o que faz o Movimento Espírita Progressista plural e diverso, aumentando ainda mais as suas formas e áreas de atuação.

Por isso: Um Salve aos Espíritas Progressistas e vida longa aos coletivos Espíritas Progressistas.

 

Referência Bibliográfica

Música Paz sem voz é medo. Compositores: Alexandre Monte De Menezes / Lauro Jose De Farias / Marcelo De Campos Lobato / Marcelo Falcão Custodio / Marcelo Fontes Do Nascimento Vi Santana


sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Nota pública em solidariedade ao povo afegão frente ao caos social

 


Pautado nos princípios da liberdade, da igualdade e da fraternidade, que devem nortear nossas ações no campo nacional e no global, o IFHEP – Instituto de Filosofia Espírita Herculano Pires manifesta sua preocupação com a situação do povo afegão, no que diz respeito à preservação das garantias humanitárias e aos direitos humanos, bem como à necessidade de preservar a integridade física, moral e psíquica das pessoas, com maior efeito sobre as mulheres e meninas daquele país. Sobre os direitos das mulheres e meninas, lembremo-nos das reflexões da filósofa francesa Simone de Beauvoir, a partir da seguinte citação: “(...) basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida”.

O povo afegão é quem perde frente às disputas imperialistas de um lado e fundamentalistas de outro, disputas essas que fazem com que sua população fique à mercê do caos político e social que instrumentaliza o país para fins escusos, enquanto as vulnerabilidades se alastram.

Nesse cenário, nos juntamos às representações nacionais e internacionais que buscam a construção e manutenção de um mundo de paz para solicitar uma mediação da crise que se aprofundou naquele país com vistas ao respeito aos direitos civis e das liberdades individuais e coletivas.

Se não nos levantarmos contra as violências globais, se não tivermos empatia para com nossos irmãos que sofrem toda sorte de injustiças, como poderemos reagir à necropolítica que assalta localmente o Brasil, na atualidade? Com o crescente fundamentalismo religioso em curso no Brasil atual, não é prudente que baixemos a guarda.

Apesar de vivermos em um mundo de expiação e de provas, não podemos naturalizar a violência, a exploração, a guerra política e a instrumentalização da vida, como coisas corriqueiras e sem importância, ou ainda, como acontecimentos fomentados pelas leis espíritas de causalidade. Todas as ocorrências oriundas do orgulho e do egoísmo humanos, precisam ser enfrentadas no campo do humanismo, das questões sociais e também no campo do amor.

Fortaleza, 20 de agosto de 2021